Ícone inaugural da cena pop alagoana dos 90s, duo resgata projeto Automarx e revitaliza fusão do rock com a música eletrônica no recém-lançado EP Tempo

Música

A música nasce na aurora dos tempos. Num sopro a vida começa. Noutro ela se esvai. Na mais imprevisível das jornadas, a existência desliza sobre ondas sonoras – do porto de partida ao destino inalcançável de um mistério sem fim. Musique non stop.

A volta à ativa do duo alagoano formado por Eduardo Bahia e Eduardo Calado se inspira na passagem do tempo – o que muda e o que permanece. E ainda mais: o quanto muda aquilo que permanece.

30 anos após pioneiramente inaugurar a cena pop autoral de Maceió e logo romper as divisas com o electro-rock da Stonegarden, a dupla retorna à cena com o EP Tempo, do projeto Automarx. O esboço de três canções precocemente abortado há mais de duas décadas foi resgatado, revitalizado, concluído e agora lançado nas plataformas digitais.

“Tudo isso é sobre o tempo / Promessas e sentimentos”, canta Eduardo Calado sob ritmo frenético, texturas eletrônicas e toques de guitarra assinados por Eduardo Bahia. A parceria retomada entre os xarás volta a mirar as pistas. Sim, é verdade.

Aditivada pela carruagem de fogo de beats e riffs, Automarx incendeia a balada com calor poético-filosófico ao convidar corpo e mente para bailar na trinca Meio Dia, Tempo e Avenidas.

A bem-vinda colaboração do antigo companheiro de banda, Israel Cézar, atualiza timbres e grooves sintetizados propositadamente retrô, aparentemente anacrônicos, mas singularmente pertinentes.

No mundo de comportamentos modelados por inputs tecnológicos, a relação com o tempo se reconfigura em alta rotação a todo o momento. O que muda e o que permanece. Que bom ouvir quem pensa sobre isso e transforma tudo em música para a alma balançar.


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