O breu, por definição, é o escuro, lugar totalmente escondido do abrigo da luz, de forma intencional ou não. Propositalmente, quando estamos dispostos a ignorar casualidades, desigualdades; quando nos negamos a clareá-lo ou quando queremos nos entregar ao delírio, às paixões. E são dessas situações que Edilene Facundes nos fala no seu primeiro livro: O breu do mundo me completa.

Edilene fala, em seus poemas, de angústias existenciais, das desigualdades sociais, quando traz no poema Praça da Bandeira a lembrança de um passado onde se podia andar pela praça e que hoje está dominada pelo medo.
Em outros poemas — Brazil I, II e III — a autora deixa clara sua indignação com a situação atual do Brasil, e com o que ele tem feito com as minorias; seu descontentamento, apatia, em ter descoberto, caído em si, que não existe o tal final feliz.
N’O breu do mundo me completa, enxergamos a faceta da fotografia que tanto Edilene cultiva, no poema Rio Poty. Em tempo, a capa do livro é um autorretrato. Ou quando, no poema Paradoxo, escreve que apesar de sermos etéreos, vivemos a procurar pelo material. No poema Paulista:
“rua gigante
engole o mundo
e cospe miséria”
A autora deixa sua indignação registrada com as mazelas sociais, e no poema Fraca, ela nos diz que mesmo diante de tudo, nada fez. No poema Auge, aqui temos um breu proposital, Edilene nos fala:
“estás plena
e o meu uivo
ecoa
madrugada a dentro
em busca do prazer
que o teu corpo
exala”.
Além da poesia marcante, somos surpreendidos pelas lindas ilustrações de Fernanda Paz, que compõem muito bem a estética proposta por Edilene em seus poemas.
Para quem já leu, ou quer conhecer a autora, a obra vai ser debatida pelo Leia Mulheres Teresina, dia 29/01. Dá uma olhada no banner:

Estão todes convidades!
Que legal, Dani! Muito obrigada!
Fico feliz que tenha gostado. Abraço.